segunda-feira, 28 de abril de 2008


Adeus, minha doce puta.
Minha estima agradece teus valorosos préstimos.
Bem dizer, nem muito pediste em troca -
Meus desagrados, teu orgasmo, nosso tempo...
Só. Penso que falhaste em teus propósitos, pois.
Ou já não mais entendo eu de propósitos quanto outrora.

Adianto-te que mentirei ao ser forçado a reconhecer minha culpa.
Mas, veja lá, minha cristandade já morrera bem antes de ti.
Tal ‘quela vez que te cuspi aos pés.
Deus sabe que há pecados maiores, menos sinceros...
“Te perdôo por te trair”, nobre devassa.
Nem que para isso minhas lágrimas me traiam primeiro.

Sinto, mas não te desejarei felicidade - tal qual cogitei um dia.
És uma puta, mas ora... Teu ofício não lhe confere caprichos.
Os tempos de cabaré já são outros; é árduo, mas hei de seguir os passos.
Por agora crescerei; chorarei sozinho e libertinar-me-ei aos teus olhos.
É o que me resta, minha doce puta.
Adeus. Vai-te tarde...