segunda-feira, 24 de dezembro de 2007



E a insônia perturba;
Me obriga a escrever.
Faz reviver amores passados.
Acalma, sem reza, maus pensamentos,
Com sonhos impossíveis de se crer.

E, real, chove na rua...
Chico tortura, impiedoso,
Com seus sambas lembrando
Que do outro lado das nuvens
Reina a lua.

Mas eu só vejo nuvens pesadas

O tempo foge, reaparece, foge...
Faz-se vivo na alvorada fria.
Ejacula a noite
E traga o dia;
Destrói meu último ponto, ilustre,
E encerra assim a fantasia.

terça-feira, 9 de outubro de 2007


Não, não vá pensando
Que eu vivo de passados
Por vestir aquela camisa amarela.
Ou sequer creia ser ciúmes
Eu, ali, ao teu lado;
Tristeza, meu olhar vago.

O dar um tempo é apenas
Um delírio de embriaguez,
O nunca mais mais é
Arrogância que não sai,
O adeus,
Ah, o adeus...

Me deixa viver a poesia,
Por favor. Põe as fotos
Na gaveta, que eu não consigo,
Mas não chame isso de amor!
Me deixa viver a poesia,
Por favor.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007


Que mais resta
Do meu amor
Que não
Teus pedidos?
Que mais pedes
Além dos meus...
Sei não.
Sabes mais
Da minha confusão
Que mesmo eu?
Me confunda
Me peça os restos
Não me saiba.
Já cansei de ser você.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007


Músicas e perfumem entristecem,
Mas não abatem. Se não há
Lágrimas nem súplicas por veneno
É que foi, simplesmente,
Ameno. E de leveza, minha cara,
Já basta um coração carente.

Escapa um grito sufocado
Em meio a sonhos de mentira.
Encerra a certeza - bem vinda?
Melhor calar-se, cerrar os olhos
E esperar o nada, que não vem.
A dor, esta sim, já partira.

O tempo engasga, por certo
A saudade palpita, sem rumo
Os últimos românticos convertem-se.
Amor e ódio, ódio e paz...
Meu maior erro, sem dúvida,
Foi querer sempre amar demais.

terça-feira, 18 de setembro de 2007


Depois de bem medidos,
Os palmos enfim preencheram-se.
Ouviram-se as lástimas, ao longe
(Era domingo)
E até no sopé houve quem parou.

A outra, dita melhor, caiu;
Baixaram as cabeças, sincronizados, todos,
No mais vigoroso silêncio já sentido.
E pela marcha, o lá de bata percebeu:
Poucas, as rosas não mentem.

À derradeira visão,
Ninguém ao certo a notou,
Com as mãos e alma hesitante,
Ajoelhara-se, distante, ignorando o solene.
Já fazia anos que enterrara quem mais amou.